A dança inspira poesia. A paixão que envolve o ambiente do teatro, dos camarins, da coxia, do palco, é evidente a qualquer pessoa que se proponha a experimentá-la.

Foi assim que aconteceu com Pedro Ungaretti, designer de produto que aos 26 anos começou a fazer aulas de ballet. Em seu primeiro espetáculo como bailarino, traduziu suas impressões em poesia:

“O público já estava no teatro e dava para ouvir o burburinho do outro lado da cortina. Há poucas horas aquele espaço era nosso. Havia bailarinas por toda parte, se alongando na plateia e se aquecendo nos corredores, repassando coreografias no palco ainda iluminado. Aplicando base, pó, rímel, cola para o cílio postiço. Professor, menino é só lápis no olho?

A cortina é fechada e as luzes do palco se apagam. Alguns novatos se excitam e vão correndo ver, pelas frestas da cortina, o público entrar. Enquanto eu sinto que já ensaiei tudo o que poderia e seja o que Deus quiser, duas ou três pessoas continuam no palco, se movimentando alheias à cortina e às luzes. Mal enxergo os meus pés, mas elas pulam, giram e se equilibram. Estou no meio do palco e me pergunto o quanto o ballet não é a mistura do que acontece depois e, principalmente, antes das cortinas se abrirem.”

Pedro também traduz suas impressões em fotografias.
Confira um pouco de seu trabalho em seu flickr: https://www.flickr.com/photos/ungaretti/albums/72157656722734972